Bruno Pantalena Piazza





Falar de quem se gosta já é difícil; falar de quem se gosta muito é mil vezes mais complicado. Escrever sobre ele é uma questão que vai bem mais além do que possa parecer. Não é simplesmente falar de um músico fantástico e pianista incrível - o que, por si só, já seria uma responsabilidade enorme. É falar dele, do cara: Bruno Pantalena Piazza.

Paulistano criado em Campo Grande (MS), onde viveu desde recém-nascido até os dezesseis anos, Bruno é daquelas pessoas que te conquistam logo de cara. Cara simples, de poucas palavras, mas de uma educação e boa vontade que impressionam. Seu jeito calmo de falar, bem como sua sensibilidade aguçada e sua charmosa timidez cativam a gente de modo surpreendente e encantador.

A música esteve presente em sua vida desde antes de seu nascimento - sua casa já tinha o ambiente próprio dos artistas: sua avó, sua tia e sua mãe tocavam piano; os tios de seu pai promoviam festas com muita música ao vivo - em resumo, uma família extremamente musical e alegre. Numa dessas ocasiões, uma escaleta (instrumento musical que consiste num aerofone de palhetas livres, com funcionamento semelhante ao acordeão e à harmônica de boca e possui um teclado análogo ao do piano, só que em proporções reduzidas) foi esquecida na casa dos avós maternos de Bruno e, muitos anos depois, ele descobriu-a e encantou-se por ela.

Apaixonou-se pelo piano aos quatro anos e não largou mais o instrumento desde então. Fez alguns anos de aulas com uma professora de Campo Grande, mas depois de algum tempo, achou que não teria muito mais o que aprender e ficou sem saber se continuava ou não - sem, contudo, deixar o instrumento totalmente de lado. Na adolescência, acompanhou o primo Junior (que toca violão) em bares e restaurantes campo-grandenses. Já em São Paulo, resolveu prestar vestibular para Belas Artes - sim, nosso querido pianista já pintava alguns quadros. Formou-se em Artes Plásticas e, ao mesmo tempo, procurava alguém para ensiná-lo, estudando, muitas vezes, por conta própria. Foi nessa época que ele começou a compor; peças curtas e alguns improvisos, que ele mandava, via email, para sua mãe.

Passou a freqüentar o ateliê do artista plástico Nuno Ramos (primo de seu padrasto), que percebeu logo de cara que a praia de Bruno era mesmo a música e não as artes plásticas. Um conhecido em comum lhe apresentou Dante Pignatari, um grande pianista que ajudou muito na evolução e consolidação da formação musical de Bruno. Fez também algumas trilhas para documentários, curtas e longa metragens com Jean Gabriell, amigo violonista que mora em Curitiba.

Enquanto tudo isso ia acontecendo, foi conhecendo João Guarizo, Toni Ferreira, Bianca Godói, Maria Gadú, Guima Mendonça, Dani Black, Bárbara Rodrix, Roberto Cury, Lenine Guarani, Camila Wittmann, Pedro Alterio... Por sugestão de Chiara Rodello, montaram (Chiara, Bruno e Bárbara) o projeto “Quinta Dissonante”, uma noite musical por mês, com artistas convidados, que tocavam em casas paulistanas como o Café Paõn e Ao Vivo Music. O sucesso do projeto foi grande e daí surgiram muitos amigos e importantes parcerias.  

Hoje, Bruno tem com o amigo-irmão Pedro Alterio o projeto 'Música dos Dois', que mescla os universos erudito e popular - tendo como base o violão e o piano - e que conta ainda com as participações especiais de Luiza Possi, Mônica Salmaso, Bárbara Rodrix e Rafael Alterio, além de Gabriel Alterio na bateria, Igor Pimenta no baixo e arranjos de corda de Neymar Dias.O CD, lançado em outubro do ano passado, é tido como um dos melhores álbuns dos últimos tempos e vem sendo super elogiado pelo público em geral. Faz parte também da banda Dalai junto com Rodolfo Rodrigues, Lucas Espíndola e Gabriel Alterio, além de tocar, ocasionalmente, com nomes como Juca Chuquer, Paulo Novaes, Maria Christina e Bruna Moraes.

A canção abaixo é de sua autoria e uma das mais lindas que já ouvi em toda a minha vida. Chama-se 'Pra Sophia' e sintetiza tudo aquilo que o próprio Bruno é: sutil, singelo, belo. 




Desvendar Bruno Piazza seja, talvez, aquilo que motiva a gente a querer tê-lo por perto. E querendo sempre mais.



por Bia Anchieta

Comentários

  1. Bommm o Bruno como pessoa sem palavras, as oportunidades que tive de papear com esse mlk, uso sempre o #mlk na forma de dizer #intimidade e nunca de forma pejorativa, é um mlk de boas palavras, aquele tipo de pessoa que sabe lidar da melhor forma possível com diversas pessoas, ele é humano. Quanto a músico nunca fui muito fã de música instrumental, elas sempre me soam solitárias/ trites, mas essa parceria com o Pedrim Altério me proporcionou enxergar um cara maneiríssimo e um ótimo músico. O piano/teclado entrou na minha vida no comecinho da década passada através do Coldplay, depois veio o monstro Jamie Cullum, mas nunca tiverá uma referência nacional até conhecer o Bruno. O Bruno faz parte de uma geração rara de ídolos cativam como artistas e convencem como ser humano.

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