Duda Brack!





Conheci a Duda da maneira mais inusitada possível: num banheiro de um barzinho famoso aqui em São Paulo (o Café Piu-Piu) - estava acabando de me maquiar e cantarolando 'Because Ousa' quando ela entrou para terminar de arrumar o cabelo. Fiquei olhando através do reflexo do espelho e, tanto para minha surpresa quanto para a dela, soltei um animado 'cara, você não é a Duda Brack?'. E foi assim: encantamento à primeira vista, literalmente!

Com apenas dezenove anos, Eduarda Brack (gaúcha de nascença e carioca por opção e de coração) veio na contramão da maioria dos artistas. Não nasceu numa família de músicos e admite que não era daquelas que escutava muita música em casa. Quando pequena queria ser atriz e, apesar de ter uma sensibilidade sempre voltada para as artes em geral, esse dom não foi estimulado, percebido ou canalizado. Cantora de chuveiro assumida, mas sem peito para assumir sua vocação, foi deixando o tempo passar. Somente aos dezesseis anos, quando sua vontade foi ficando latente e incontrolável, tomou coragem para 'pular nesse abismo' – e foi um caminho sem volta. Sua relação com o mundo mudou; a partir daí passou a entender mais sua missão aqui. Começou a ouvir de tudo e ter toda a sua atenção voltada nisso – dessa maneira conseguiu desvendar a musicalidade que tinha dentro de si (e continua até hoje porque acredita que isso é um processo que não cessa, ‘a música é infinita’).

Daí em diante passou a cantar em festas, formaturas e bares, bem como fortaleceu seus relacionamentos e projetos com músicos - ainda em Porto Alegre cantou em dois grupos vocais. Mas a grande virada veio mesmo no final de 2011: sua decisão de mudar-se, junto com sua mãe Ana e sua irmã Rebeca, para o Rio de Janeiro. Palavras dela: ‘vim pro Rio para viver. Lá (em Porto Alegre) não dá pra viver de arte. As coisas são limitadas, restritas, provincianas. E é muito frio!’.

Sua mãe comprou a sua parada; vive isso junto com ela diariamente, divide dor e delícia de cada degrau. Dona Ana é o pau da barraca, assim como sua irmã – em verdade as três são muito unidas. Sua avó, que faleceu o ano passado, também sempre deu toda a força do mundo. ‘Sem elas esse processo todo não teria sido o mesmo, nem tão cheio de amor e de força’ costuma afirmar.

Artistas como Elis Regina, Caetano Veloso, Gal Costa, Djavan, Ney Matogrosso, Ella Fitzgerald, Gilberto Gil, Tom Jobim, Ana Cañas, Novos Baianos, Billie Holiday, Guinga, Lenine, Bobby McFerrin, Milton Nascimento, Itamar Assumpção, Noel Rosa e Maria Gadu são alguns nomes que norteiam a sua formação musical. Participou, junto com Bruno Piazza e João Guarizo, da sétima edição do Festival de Música de Sorocaba em julho do ano passado. Defendeu e conquistou o primeiro lugar com a canção ‘Because Ousa’, composição de Dani Black e do próprio João Guarizo.

Atualmente cursa Licenciatura em Música na Unirio, mas pretende largar em breve. ‘Não acho muito relevante. Não quero dar aulas. Não gosto de instituições convencionais. Não é lá que vou encontrar os saberes que eu busco. Na real entrei para ver como é’. Há mais ou menos um ano vem tendo uma relação bem amorosa com seu violão - na verdade ele é mais uma ferramenta para seu canto, algo que lhe abre janelas e possibilidades musicalmente.

Quanto ao lançamento de seu primeiro CD, ela afirma: ‘ele está em gestação; devo parir lá para o ano que vem’. Uma coisa é certa: vem coisa (muito) boa por aí. Duda, além do carisma e simpatia que lhe são naturais, possui o requisito básico de qualquer artista: a entrega e o amor pelo trabalho. Sua voz marcante e sua interpretação impecável nos dão a certeza de que uma nova estrela da MPB está nascendo. Vem com tudo, menina! 

Ah, e aqui vai uma dica preciosa para ver a Duda feliz: basta presenteá-la com um cupcake de chocolate com recheio de Nutella. Ela é totalmente viciada neles! rs

O vídeo abaixo é um dos meus preferidos dela: sua interpretação para 'Descobrimos Nós Dois', composição do amigo e igualmente talentoso Daniel Chaudon.




por Bia Anchieta

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