A viagem do Chapeleiro Maluco: Tatá Aeroplano





Ele é praticamente um mito do cenário independente paulistano. No finado Studio SP ou nas casas atuais, que chegaram com força total para preencher esse vazio, é difícil encontrar quem não conheça - e se inspire com! - a figura de Tatá Aeroplano.

Tatá é daquelas pessoas que nasceram com a música na alma: aos 6 anos compôs sua primeira canção e decidiu, ali mesmo que viveria disso. Cresceu compondo frenética e intensamente, e depois de participar, durante alguns anos, de uma banda em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, fundou junto com Fernando Maranho o Cérebro Eletrônico, há mais de uma década, em meados de 2002.

O Cérebro é uma banda difícil de definir. Com quatro CDs lançados (o mais recente em setembro, intitulado “Vamos pro Quarto!”), a experimentação é a marca mais forte de seu som. Começou como um duo, mas foi ganhando integrantes até chegar à presente formação, com Gustavo Souza (bateria), Fernando TRZ (teclados) e Renato Cortez (baixo), além de Fernando Maranho (guitarra) e o próprio Tatá, emprestando sua voz às ousadas interpretações “cerebrais”. As músicas - que até o terceiro CD eram quase totalmente de autoria de Tatá - refletem um universo sensitivo, psicodélico, fabular. Irreverência, cotidiano, o mundo dos sonhos, tudo parece encaixar no trabalho enlouquecido desses paulistanos.



Como se o Cérebro não desse espaço o bastante para toda loucura e subversão que pudesse ser imaginada, outra banda, ainda mais experimental, descrita por Tatá como “nascido da costela do Cérebro”, foi criada pelos amigos. O Jumbo Elektro deu vazão, durante sua existência, ao que de mais intenso havia em tatá, junto aos amigos do Cérebro Eletrônico (exceto Gustavo Souza) e Marcelo Ozório, Gunter e Daniel Setti, fazendo um som “fora da casinha”, na base de muito embromation e loucura.



Mas como todo aspirante à gênio, ele ainda tinha muito o que dizer. E nem tudo pode ser dito em equipe, porque algumas coisas precisam de um tom confessional, que só o indivíduo colocando-se inteiramente consegue expressar. E foi por isso que em 2012 ele lançou Tatá Aeroplano, seu primeiro disco solo (e que pode ser baixado gratuitamente aqui), onde, se a loucura não dá uma trégua e continua lá, junto à genialidade, ao menos aparece sob um forte viés introspectivo, pessoal, uma leitura de Tatá Aeroplano por Tatá Aeroplano. Entre canções simples e outras extremamente complexas (“Par de tapas que doeu em mim”, terceira faixa, tem mais de dez minutos!), ele revela muito de si, e um artista ainda mais completo.



E se não bastasse extravasar a sua própria natureza artística, ele está indo além. Em 2013, trabalhou na produção do disco de Juliano Gauche, e têm, junto a Gustavo Ruiz, produzido o primeiro disco solo de Gustavo Galo. O trabalho como produtor tem sido mais um estímulo de Tatá a essa geração, da qual faz parte e influencia, ao mesmo tempo, e ele define gravar como “seu mais novo vício”.

O talento de Tatá, como dito, é mais do que conhecido: é re-conhecido. E parte desse reconhecimento veio, em 2013, por meio de dois convites do jornalista Marcus Preto: um para participar do disco Coitadinha Bem Feito, uma homenagem à grande Angela Ro Ro, onde Tatá interpreta Balada da Arrasada. Segundo ele, essa gravação foi o “big bang” para seu próximo disco solo, que deve sair no ano que vem. O outro convite veio do jornalista juntamente com Tom Zé, grande ídolo do nosso showman, para participar das composições e gravação do EP Tribunal do Feicibuqui (junto com Trupe Chá de Boldo, Filarmônica de Pasárgada, O Terno e Emicida). A alegria de estar junto a um de seus maiores ídolos afetou Tatá profundamente, foi um momento mágico.




Tatá Aeroplano, músico, compositor, produtor. Gênio. Ligado à natureza, aos amigos, à alegria. Tatá é um dos tesouros da música brasileira, e esperamos que ainda muitos juntem-se a tomar chá com esse Chapeleiro Maluco!

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