Crítica de Show: John Mayer & The Search For Everything Tour no Brasil (18/10/2017)


Photo by Daniel Prakopcyk 


Expectativa pairava no ar como uma grossa camada de neblina. Excitação brilhava nos olhos dos fãs que fiel e incansavelmente esperaram por aquela quarta-feira, 18 de outubro.. Quatro anos se passaram desde que ouvimos "quero voltar para o Brasil todos os anos, para o resto da minha vida", num discurso apaixonado que John Mayer fez em seu primeiro show no Brasil, em outubro de 2013.

O estádio Allianz Parque demorou a encher e deu pouca importância ao duo de violonistas Rodrigo y Gabriela, que abriu a noite. Às 21:17, com apenas dois minutos de atraso (se não considerarmos os anos que demorou para voltar), John tocou os primeiros acordes de Helpless, faixa de seu mais recente álbum The Search For Everything, que foi cantada palavra por palavra pelo público, como de praxe. Particularmente, o ponto alto dessa primeira parte (o show é dividido em quatro) foi Why Georgia. Além de ser uma de minhas preferidas, a energia do público estava muito forte. Surpreendendo a todos, John transformou o refrão em No Such Thing, fazendo com que, ao invés de questionarmos Georgia se estamos vivendo certo, queríamos saber se dava pra ficar ali para sempre.

A segunda parte foi acústica, com Emoji of a Wave, Daughters e a primeira vez que John tocou Free Fallin’ depois que Tom Petty nos deixou, no início do mês. Visivelmente emocionado, o músico deixou que o público cantasse o refrão sozinho, tornando a homenagem num dos momentos mais comoventes da noite. Um vídeo no telão com imagens do John Mayer Trio anunciava a terceira e mais esperada parte do show. Com o baixista Pino Palladino e o baterista Steve Jordan ao seu lado, John mostrou porque é um dos maiores guitarristas de sua geração, usando até mesmo uma baqueta para tocar a guitarra em Vultures.

Essa história de dividir o show em capítulos é uma boa sacada mas pode ser um problema para as pessoas ansiosas, uma vez que você sabe que o fim está chegando e se não tomar cuidado, pode se perder na tristeza que a proximidade do fim desperta. Porém, experiente como é, Mayer não deixa isso acontecer. Mantém o público cativo, na palma de sua mão segundo a segundo. Como em sua primeira passagem por São Paulo, Dear Marie foi outro momento muito emocionante, em que o guitarrista discursou sobre ser um “quarentão” (seu aniversário foi dois dias antes, 16 de outubro) e a importância de não desejar que as coisas acabem, pois estaríamos desejando por menos tempo. O público respondeu e cantou tanto que a música foi estendida. Para coroar a noite, Gravity. “Me mantenha onde há luz” nunca fez tanto sentido - o estádio chegou a ser iluminado apenas por lanternas de celular, tendo os holofotes e até mesmo os telões apagados, dando um tom intimista jamais imaginado para um show dessa proporção.

Mesmo sendo mais curta, com exatas duas horas de duração, a apresentação do guitarrista foi tudo aquilo que pode se esperar dele: carisma, bom humor, entrega, conexão com os fãs, reflexões sobre a vida, solos de guitarra e até mesmo suas dancinhas - com direito à famosa sarrada. A pergunta que não quer calar é: volta quando para o Brasil, John?



Por Tati Bueno

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