A alma e o ritmo brasileiro de Federico Puppi

Foto: Divulgação


Italiano e morando no Brasil desde 2012, o violoncelista, compositor e produtor musical Federico Puppi, de 32 anos, resolveu gravar suas composições antigas e novas num álbum intitulado "O Canto da Madeira" - trabalho esse viabilizado através de financiamento coletivo no site do Partío, em 2015. Acreditando no poder evocativo dos instrumentos, na capacidade da música de criar imagens, paisagens, histórias (mesmo sem ter palavras), o músico resolveu imortalizar esse trabalho num álbum que refletiu a sua alma italiana nos ritmos e cores do Brasil.

Faixas como “Solo Come um Cane” (a única com título em italiano, que significa “sozinho como um cão”), “Touareg”, “Blue Jeans” e “Dança da Chuva” vieram da Itália dentro do case de Puppi. Outras três foram escritas no Brasil: “Dente de Leão”, “Chiara” (feita para a irmã radicada em Edimburgo) e “Rua São Braz”, uma homenagem ao seu primeiro endereço carioca. Com todo o simbolismo que pode ter, é a faixa que abre o disco. O trabalho pode ser baixado, gratuitamente, em seu site e também está disponível em todas as plataformas digitais.

Formado no Conservatório de Aosta (Itália), estudou música moderna em Barcelona (Espanha), lugar onde morou por um período. Começou sua carreira aos quatro anos, já tocando violoncelo. No começo tocava apenas música erudita (Beethoven, Bach, Mozart). Já na adolescência, deixou-se levar pela sonoridade do punk-rock e, aos 17 anos, apaixonou-se perdidamente pelo jazz - chegando, inclusive, a montar uma banda. Na Itália, tocou com vários grupos e orquestras, incluindo a Orquestra Sinfônica dela Valle D'Aosta e Orquestra Giovanile del Piemonte, a cantora Naif Hérin e a banda Concrete Garden.

Decidiu vir ao Brasil na cara e na coragem. Pegou seu violoncelo, o amplificador, uma mala com quatro camisetas e mudou-se para o Rio de Janeiro. Depois de aprender um pouco de português, começou a circular pelo universo musical tupiniquim; ouvindo sempre muita música, assistindo a shows e conhecendo novos artistas. A primeira pessoa que conheceu foi a cantora e compositora mineira Mari Blue, com quem fez um duo violoncelo-voz. Numa dessas apresentações do duo, conheceu a cantora Maria Gadú que, impressionada com o seu talento, convidou-o para integrar sua banda.

No Brasil, além de fazer parte da banda fixa da cantora Maria Gadú (com turnês nacionais e internacionais), chegando inclusive a assinar a co-produção do álbum "Guelã" junto com ela, Federico já tocou com Gilberto Gil, Ana Carolina, Péricles, Diogo Nogueira e gravou com Sérgio Mendes, Jorge Israel, Paula Toller, Roberta Sá, Leandro Léo, entre outros.

Puppi é aquela mistura sonora vibrante e contemporânea que deu certo: um violoncelo alemão somado a melodias pop, ritmos brasileiros e flertes com o rock, o jazz e o eletrônico. E como vale a pena conferir!


                     Por Bia Anchieta


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